EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM
SURDEZ
Larissa Flores
Bagolin
A educação escolar de pessoas
com surdez (PS) no mundo contemporâneo em que vivemos está
procurando enxergar a PS de uma forma globalizada e como sujeito
dotado de capacidades, capacidades estas que devem e podem ser
desenvolvidas tornando-os seres produtivos e capazes de desenvolver
várias linguagens além das visou-gestuais. Diante desta visão, a
Educação Especial e mais especificamente o Atendimento Educacional
Especializado (AEE), passa a oferecer a PS a Língua Brasileira de
Sinais (LIBRAS) e a Língua Portuguesa (LP) como formas de
comunicação e instrução introduzindo assim o ensino bilíngue em
escola comum.
Durante séculos a educação de
PS permaneceu segregada e, de certa forma ainda permanece, embasadas
no embate entre oralistas e gestualistas. Discussões centradas na
língua e em práticas pedagógicas específicas geraram entraves no
desenvolvimento das PS desconsiderando o desenvolvimento individual e
coletivo gerando um processo de exclusão.
As políticas existentes no
Brasil e mais especificamente a Política Nacional de Educação
Especial na Perspectiva Inclusiva de 2008, visam descentralizar a
visão fragmentada do ser humano pautando as práticas educacionais e
sociais em um viés inclusivo onde todos possuam igualdade de
oportunidades inclusive as pessoas com deficiência. Neste sentido, a
nova política de Educação Especial abre um leque de oportunidades
para a participação das PS contudo, sabemos que a prática escolar
encontra muitos desafios que necessitam ser superados na educação
inclusiva das pessoas com perda sensorial auditiva.
As práticas escolares atuais
ainda se encontram bastante voltadas para o mundo dos ouvintes,
esquecendo-se da cultura, língua e identidade surda. Porém, já
aceita-se as PS como seres capazes de desenvolver potencialidades
adquiridas pelos ouvintes pois este público da educação especial
não é considerado como deficiente e sim, como pessoas que possuem
uma perda sensorial específica da audição. As concepções antigas
são consideradas contrárias a concepção inclusiva pois possuem a
língua como eixo central do processo educativo das PS relegando a um
segundo plano o desenvolvimento dessas pessoas. Aliado a
centralização da língua no processo educativo, temos também as
práticas pedagógicas inalteradas as quais necessitam ser repensadas
constantemente visando contemplar as especificidades das PS.
Pretende-se pensar a educação
deste público de forma diferenciada fazendo com que sejam sujeitos
ativos no processo de ensino aprendizagem. Que eles possam ter suas
potencialidades desenvolvidas com suas características
biopsicossocial, cognitivo e cultural consideradas na forma de
aquisição e produção de conhecimentos. Com isso, a educação das
PS passa a ser ressignificada com a criação de ambientes
estimuladores e com a proposta de educação bilíngue (LIBRAS X LP)
a qual valoriza a cultura e identidade surda e também a LP escrita
como forma complementar de comunicação entre pessoas com surdez e
pessoas ouvintes. A proposta de educação bilíngue além de cumprir
as exigências legais do Decreto 5.626 de 5 Dezembro de 2005 tem
efetividade na prática pois possibilita sentido ao processo
educativo das PS fazendo com que os resultados positivos no processo
educativo possam ser vislumbrados com maior facilidade.
Valorizando o potencial natural
que estes sujeitos possuem é que efetiva-se a construção do AEE
para PS no viés da política de educação inclusiva com o objetivo
de disponibilizar serviços e recursos complementares ao ensino
comum, sempre observando-se que o AEE deve ser complementar e não
substitutivo do ensino regular. Através do AEE as PS tem suas
potencialidades reconhecidas, capacidades estimuladas e diferenças
respeitadas fazendo com que o estudante sinta-se incluído no
processo escolar comum bem como os demais sujeitos.
Desta forma o AEE PS torna-se um
parceiro do ensino comum conectado entre o pensar e o fazer
pedagógico com vistas a eliminação de barreiras atitudinais no
processo de ensino aprendizagem. O cotidiano adquire um significado
levando-se em conta as vivências do estudante PS fazendo com que o
educando sinta-se situado e compreenda melhor os conteúdos em
estudo. Portanto, o AEE PS é organizado por meio de contextos,
baseados nas representações sociais, culturais e científicas, a
obrigatoriedade dos conteúdos curriculares também é mantida. É
dividido em três momentos AEE em Libras, AEE de Libras e AEE para o
ensino da LP oferecendo ao aluno com surdez segurança e motivação
sendo elemento fundamental em um ambiente educacional inclusivo.
Enfim, se percebe que as
possibilidades de ressignificação do processo de ensino para
pessoas com surdez são bastante abrangentes e significativas se
aplicadas com comprometimento por parte dos educadores envolvidos. A
educação inclusiva e fazendo parte dela o ensino bilíngue,
possibilitam a reconstrução de um processo educativo marcado por
uma visão segregacionista e possibilitam também o pleno
desenvolvimento e aprendizado por meio de Libras e da língua
Portuguesa escrita. A educação no AEE para PS como ação educativa
complementar e não substitutiva prepara a individualidade e a
coletividade rompendo barreiras demonstrando que todos sujeitos tem
potencialidades e que as mesmas necessitam e devem ser desenvolvidas.
Olá Larissa, seu texto retrata as oportunidades de atendimento para a pessoa surda na escola comum, acreditamos que essa é a inclusão escolar, onde todos os alunos são beneficiados com estratégias que atendam as necessidades individuais. Abraços.
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