domingo, 29 de junho de 2014

Reflexões acerca das Diferenças: O papel do Atendimento Educacional Especializado (AEE)

            Ao refletir sobre o histórico social das diferenças se torna claro que com o passar dos séculos o termo adquire significados diferentes e, por consequência, o tratamento oferecido as pessoas fora do padrão dito “normal” evolui. A construção de um modelo social perfeito cai por terra e se faz necessário que sejam realizados ajustes para que modelo e realidade coincidam a fim de proporcionar a inclusão de todos os sujeitos. Conforme Calvino, em seu texto intitulado O modelo dos modelos, para que ocorra uma mudança de pensamento acerca de conceitos sociais estabelecidos se faz necessário que a mente permaneça desembaraçada, mobiliada apenas com a memória de fragmentos de experiências e princípios submetidos e não demostráveis. 
            Sabemos que somos todos iguais perante os nossos direitos, contudo, somos diferentes pois cada ser possui sua individualidade. O que nos torna único são os valores, crenças, experiências de vida e tipo físico. Diante disso, temos uma sociedade diversa a qual exige multiplicidade de oportunidades sendo que através de novas oportunidades nos tornamos capazes de estarmos efetivamente incluídos.
            Neste contexto, diverso e desafiador é papel do Atendimento Educacional Especializado, assim como afirma Calvino, refletir sobre a prática profissional e suas relações com a deficiência acolhendo assim as diferenças, respeitando-as e oportunizando diferentes maneiras em que o sujeito possa demonstrar suas potencialidades, superar obstáculos e, por fim, sentir-se pertencente e ativo no meio social em que vive. O AEE é uma das alternativas de inclusão que oportuniza o contato com novas experiências, desafios, aprendizado e evolução, não só para o estudante como também para o educador e demais envolvidos com o processo.

REFERÊNCIA:

CALVINO, Italo. O modelo dos modelos

terça-feira, 3 de junho de 2014

RECURSO E ESTRATÉGIA DE BAIXA TECNOLOGIA- PECS


Público-alvo: Estudantes com Transtornos Globais do desenvolvimento.

Local de Utilização: Este recurso pode ser utilizado em Sala de Recursos (Atendimento Educacional Especializado) e também em sala de aula regular com o devido apoio e orientação ao educador regente de classe do ensino comum.

        Uma das áreas mais afetadas pelo autismo é a comunicação e a interação social. Através dos estudos realizados ficou comprovado que o sujeito com autismo tende a isolar-se do mundo exterior não percebendo o outro e por vezes nem a si próprio. Dentro deste viés, os Pictures Exchange Communication System (Comunicação utilizando troca de fotos) é um recurso auxiliar da linguagem que visa estabelecer contato entre o autista e o meio que o cerca.
       O sistema PECS foi criado com o objetivo de compreender a rotina dos autista, não é um sistema antigo e seu material possui um custo elevado para aquisição apesar de ser um recurso de baixa tecnologia. Contudo, se estudado com atenção pode ser desenvolvido facilmente em escolas através da adaptação dos materiais. O seu método baseia-se em ensinar o autista a trocar uma fotografia por algo que deseja.
        O PECS facilita a interação do educador (a) com o estudante autista pois proporciona que o aluno comunique-se escolhendo a foto (gravura) que esteja representando seus sentimentos, vontades e/ou suas necessidades. Por muitas vezes também estimula o desenvolvimento da fala apesar desta, representar para a maioria dos autistas uma segunda língua. Os sujeitos autistas, em sua grande maioria, possuem um linguagem visual como primeira língua e por isto este sistema torna a comunicação/aprendizagem bastante significativa.
Abaixo alguns exemplos de gravuras organizadas através de Placas de Comunicação Alternativa que são muito úteis no trabalho com autistas:






       Vale lembrar que o trabalho com autismo é bastante complexo e necessita estar bem alicerçado para que ocorra de forma segura e significativa tanto para educadores e educando. Fundamentação teoria e um trabalho transdisciplinar se tornam aliados de uma prática pedagógica intencional com vistas a inclusão escolar.


REFERÊNCIA:

http://www.autimismo.com.br/comp_pecs.html












sexta-feira, 18 de abril de 2014




           



                                       

INFORMATIVO: SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA


            A Surdocegueira é uma terminologia adotada para quem possui perdas visuais e auditivas de maneira concomitante e em diferentes graus. As pessoas com surdocegueira apresentam outros comprometimentos associados além dos causados pela cegueira e pela surdez. O impacto da perda dupla (Visão e Audição) é multiplicativo e não aditivo enquanto na Deficiência Múltipla (DMU) são considerados os sujeitos que possuem uma ou mais deficiências associadas. A pessoa com DMU não recebe informações sobre o que está a sua volta de maneira fidedigna, necessitando da mediação da comunicação, para poder receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca. Esta condição identifica um diferente grupo de pessoas com a associação de diversas deficiências que afetam o sujeito no seu desenvolvimento individual e social. As necessidades educacionais básicas são de comunicação e expressão corporal. É através do corpo que o homem descobre o mundo e a si mesmo sendo eficaz um trabalho voltado para o desenvolvimento do equilíbrio postural. O trabalho com a utilização das mãos, evitando estereotipias é outra opção a ser estudada e aplicada, pois, favorece o desenvolvimento de um sistema estruturado de comunicação.
            Considerando-se as individualidades de cada ser também faz se necessário um trabalho voltado para a organização das situações de aprendizagem e de estratégias que favoreçam a comunicação sempre estas mediadas e com vistas a desenvolver a autonomia e independência do estudante. Pensando-se tanto na surdocegueira quanto na DMU temos os objetos de referência que possuem grande função na antecipação das atividades a serem realizadas no dia a dia. Estes objetos possuem significados particulares, função de representar pessoas, lugares, atividades, conceitos e até mesmo substituir as palavras. Desta maneira a comunicação torna-se mais simbólica e possuidora de significados relevantes ao estudante oferecendo contato com o ambiente, fortalecimento de vínculos afetivos, organização do pensamento e construção da linguagem.          
Partindo do pressuposto de que todo o processo educativo deve ser inclusivo tornando a escola comum um ambiente de todos e para todos, no trabalho com estudantes com surdocegueira e DMU se faz necessária além da reestruturação metodológica também uma readequação espacial com mobiliários adequados e fixos, banheiros adaptados, sinalizações, entre outros aspectos. A escola inclusiva visa à permanência do estudante no ambiente escolar favorecendo condições de acesso e aprendizagem dos conhecimentos transmitidos em sala de aula regular. Para isso, estudantes com surdocegueira e DMU (além de outras deficiências) devem contar com o Atendimento Educacional Especializado em Sala de Recursos Multifuncionais com professor especializado. O trabalho interdisciplinar e multiprofissional irá enriquecer os conteúdos curriculares e facilitar a aprendizagem de alunos com deficiências tornando realmente a escola um espaço para todos.

REFERÊNCIAS:

BOSCO, Ismênia C. M. G; MAIA, Shirley R; MESQUITA, Sandra R. S. H. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: surdocegueira e deficiência múltipla. Brasilia, Ministério da Educação e Cultura (MEC), Secretaria de Educação Especial, Universidade Federal do Ceará (UFC), 2010 v. 5 (Coleção A Educação Escolar na Perspectiva Inclusiva).

sexta-feira, 7 de março de 2014

EDUCAÇÃO ESCOLAR DE PESSOAS COM SURDEZ

                                                                                                            Larissa Flores Bagolin

A educação escolar de pessoas com surdez (PS) no mundo contemporâneo em que vivemos está procurando enxergar a PS de uma forma globalizada e como sujeito dotado de capacidades, capacidades estas que devem e podem ser desenvolvidas tornando-os seres produtivos e capazes de desenvolver várias linguagens além das visou-gestuais. Diante desta visão, a Educação Especial e mais especificamente o Atendimento Educacional Especializado (AEE), passa a oferecer a PS a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e a Língua Portuguesa (LP) como formas de comunicação e instrução introduzindo assim o ensino bilíngue em escola comum.
Durante séculos a educação de PS permaneceu segregada e, de certa forma ainda permanece, embasadas no embate entre oralistas e gestualistas. Discussões centradas na língua e em práticas pedagógicas específicas geraram entraves no desenvolvimento das PS desconsiderando o desenvolvimento individual e coletivo gerando um processo de exclusão.
As políticas existentes no Brasil e mais especificamente a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva de 2008, visam descentralizar a visão fragmentada do ser humano pautando as práticas educacionais e sociais em um viés inclusivo onde todos possuam igualdade de oportunidades inclusive as pessoas com deficiência. Neste sentido, a nova política de Educação Especial abre um leque de oportunidades para a participação das PS contudo, sabemos que a prática escolar encontra muitos desafios que necessitam ser superados na educação inclusiva das pessoas com perda sensorial auditiva.
As práticas escolares atuais ainda se encontram bastante voltadas para o mundo dos ouvintes, esquecendo-se da cultura, língua e identidade surda. Porém, já aceita-se as PS como seres capazes de desenvolver potencialidades adquiridas pelos ouvintes pois este público da educação especial não é considerado como deficiente e sim, como pessoas que possuem uma perda sensorial específica da audição. As concepções antigas são consideradas contrárias a concepção inclusiva pois possuem a língua como eixo central do processo educativo das PS relegando a um segundo plano o desenvolvimento dessas pessoas. Aliado a centralização da língua no processo educativo, temos também as práticas pedagógicas inalteradas as quais necessitam ser repensadas constantemente visando contemplar as especificidades das PS.
Pretende-se pensar a educação deste público de forma diferenciada fazendo com que sejam sujeitos ativos no processo de ensino aprendizagem. Que eles possam ter suas potencialidades desenvolvidas com suas características biopsicossocial, cognitivo e cultural consideradas na forma de aquisição e produção de conhecimentos. Com isso, a educação das PS passa a ser ressignificada com a criação de ambientes estimuladores e com a proposta de educação bilíngue (LIBRAS X LP) a qual valoriza a cultura e identidade surda e também a LP escrita como forma complementar de comunicação entre pessoas com surdez e pessoas ouvintes. A proposta de educação bilíngue além de cumprir as exigências legais do Decreto 5.626 de 5 Dezembro de 2005 tem efetividade na prática pois possibilita sentido ao processo educativo das PS fazendo com que os resultados positivos no processo educativo possam ser vislumbrados com maior facilidade.
Valorizando o potencial natural que estes sujeitos possuem é que efetiva-se a construção do AEE para PS no viés da política de educação inclusiva com o objetivo de disponibilizar serviços e recursos complementares ao ensino comum, sempre observando-se que o AEE deve ser complementar e não substitutivo do ensino regular. Através do AEE as PS tem suas potencialidades reconhecidas, capacidades estimuladas e diferenças respeitadas fazendo com que o estudante sinta-se incluído no processo escolar comum bem como os demais sujeitos.
Desta forma o AEE PS torna-se um parceiro do ensino comum conectado entre o pensar e o fazer pedagógico com vistas a eliminação de barreiras atitudinais no processo de ensino aprendizagem. O cotidiano adquire um significado levando-se em conta as vivências do estudante PS fazendo com que o educando sinta-se situado e compreenda melhor os conteúdos em estudo. Portanto, o AEE PS é organizado por meio de contextos, baseados nas representações sociais, culturais e científicas, a obrigatoriedade dos conteúdos curriculares também é mantida. É dividido em três momentos AEE em Libras, AEE de Libras e AEE para o ensino da LP oferecendo ao aluno com surdez segurança e motivação sendo elemento fundamental em um ambiente educacional inclusivo.

Enfim, se percebe que as possibilidades de ressignificação do processo de ensino para pessoas com surdez são bastante abrangentes e significativas se aplicadas com comprometimento por parte dos educadores envolvidos. A educação inclusiva e fazendo parte dela o ensino bilíngue, possibilitam a reconstrução de um processo educativo marcado por uma visão segregacionista e possibilitam também o pleno desenvolvimento e aprendizado por meio de Libras e da língua Portuguesa escrita. A educação no AEE para PS como ação educativa complementar e não substitutiva prepara a individualidade e a coletividade rompendo barreiras demonstrando que todos sujeitos tem potencialidades e que as mesmas necessitam e devem ser desenvolvidas.

domingo, 1 de dezembro de 2013

TECNOLOGIA ASSISTIVA – RECURSO DA AUDIODESCRIÇÃO PARA ACESSO AO CONHECIMENTO POR PESSOAS CEGAS.

         Sabemos que a sociedade atinge o seu real objetivo no momento em que ela se torna realmente democrática. Para que isso aconteça um dos aspectos necessários é a disponibilidade de acesso ao conhecimento por parte de todas as pessoas. A Tecnologia Assistiva torna-se então, um dos importantes auxiliares neste processo. O conhecimento por este meio é disponibilizado as pessoas com deficiência através do compartilhamento de informações nas suas mais diferentes formas e manifestações, beneficiando um maior número de pessoas. Para o acesso ao conhecimento por pessoas cegas, temos o recurso da Audiodescrição.
      Audiodescrição é uma faixa narrativa adicional para pessoas cegas e deficientes visuais onde se incluem o cinema, a televisão, o teatro, espetáculos de dança, espaços físicos, entre outros. O recurso consiste na descrição clara e objetiva de todas as informações que compreendemos de maneira visual e não estão contidas nos diálogos como, por exemplo, as expressões faciais. O seu uso pedagógico pode estar presente nas mais variadas situações do cotidiano escolar ilustrando e enriquecendo o processo de ensino/aprendizagem possibilitando uma melhor absorção de informações e conhecimentos. A seguir vídeo “A Fabula da Corrupção – audiodescrição Mil palavras, podendo ser trabalhado em momentos de leitura em sala de aula.


REFERÊNCIA:

ULBRICHT, Vania Ribas; VANZIN, Tarcísio e VILLAROUCO, Vilma (Organizadores). Ambiente Virtual de Aprendizagem Inclusivo. Florianópolis: Pandion, 2011.



        

domingo, 6 de outubro de 2013

Jogo para Alunos com Deficiência Intelectual
Tiro ao Alvo




Descrição: Jogo com flechas que devem ser lançadas em direção ao alvo com vista á obter maior pontuação. O alvo contem círculos de diferentes tamanhos, cores e numerais. Várias tentativas podem ser oferecidas ao (s) estudante (s) e no final das tentativas estipuladas as pontuações devem ser somadas para a comparação entre as pontuações obtidas pelos participantes. Pode ser trabalhado em atendimento individualizado sendo jogado pelo estudante e educadora ou em atendimentos realizados em duplas e/ou pequenos grupos. Existente para venda em lojas ou é possível ser confeccionado pelo (a) educador (a) com papelão, E.V. A, entre outros materiais. Cola colorida e tinta, também são sugestões.

Objetivos: Desenvolver habilidades motoras, coordenação olho/mão, preensão, direção, velocidade, lateralidade, identificar cores e conceitos matemáticos (quantidades, números, medidas, adição, par/impar), trabalhar as letras, sílabas e seus respectivos sons.

Intervenções a serem realizadas pelo professor (a) do AEE: o (a) educador (a) deve estimular  o (s) estudante (s) primeiramente através da exposição verbal da atividade, posteriormente da exemplificação e no decorrer com constantes orientações verbais. Perguntas sobre as cores, sobre os numerais, relação de maior/menor círculo e numeral podem ser realizadas. As pontuações obtidas com o decorrer da aplicação do jogo podem ser anotadas pelo (a) educador (a) ou pelo (s) aluno (s) quando este consegue realizar a escrita de forma adequada. No momento da escrita das pontuações os nomes dos participantes irão ser registrados e podem também servir de oportunidade para que as letras, sílabas e seus respectivos sons, sejam trabalhados.

            Atividade/Jogo escolhido por trabalhar habilidades e conteúdos escolares de forma lúdica tornando o processo de aprendizagem mais dinâmico e significativo. Sabe-se que os jogos e atividades lúdicas são fundamentais no processo educativo, pois, são capazes de contribuir de maneira positiva para o desenvolvimento intelectual, físico, emocional e social dos (as) educandos (as). Quando falamos de pessoas com Deficiência Intelectual reforça-se mais ainda a importância destes já que este público necessita de uma gama de atividades diversificadas para a facilitação e significação do processo de aprender.

Fontes de Pesquisa:

LAVORSKI, Joyce e JUNIOR, Rubens Venditti. A ludicidade no desenvolvimento e aprendizado da criança na escola: reflexões sobre Educação Física, jogo e inteligências múltiplas. Acessado em http://www.edfdeportes.com/efd119/a-ludicidade-no-desenvolvimento-e-aprendizado-da-criança-na-       escola.htm no dia 01 de Outubro de 2013.

BRASIL, Universidade da Juventude. Esporte para pessoas com deficiência. Acessado em infojovem.org.br/infopedia/tematicas/esporte/esporte-para-pessoas-com-deficiencia/ no dia 29 de Setembro de 2013.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

RECURSO DE TECNOLOGIA ASSISTIVA PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA

            A tecnologia assistiva é uma área de estudo que se ocupa de recursos e serviços que contribuem para ampliar as habilidades funcionais de pessoas com deficiências promovendo um dia-a-dia independente e inclusivo. Sua finalidade é melhorar a qualidade de vida e proporcionar a independência nas mais diversas atividades diárias, dentre elas, a educação.
            Um dos recursos de tecnologia assistiva que podem ser utilizados com pessoas com deficiência física são as órteses. Existem inúmeros tipos, tamanhos e modelos, porém todos possuem a função ajustar partes do corpo em funcionamento comprometido através do uso de dispositivos como os coletes e a palmilhas, por exemplo. Sendo assim, o estudante terá uma melhor adequação postural, desenvolvimento da motricidade ampla e fina, dentre outros aspectos.